Álvaro Larangeira Teixeira - escritor
Não posso negar que sou curioso. Sempre quero saber de tudo que está ocorrendo. Quando ainda era jovem, ouvia o ditado popular que dizia: “Curiosidade é sinal de inteligência”. Depois disso, fiquei orgulhoso de minha curiosidade e sempre tomei cuidado para não ser impertinente.
Hoje, sempre que possível, esclareço minhas dúvidas sem demonstrar uma curiosidade incontrolável, procurando criar um ambiente próprio para receber as informações. Depois de alguma convivência com outras culturas, descobri que nós brasileiros somos muito discretos sobre nossas coisas. Podemos até dizer que não satisfazemos a curiosidade de ninguém. E existem perguntas que não devemos fazer nunca, por mais curiosos que estejamos. Exemplo mais claro é perguntar a idade de uma mulher. Se ela já tiver mais de trinta anos, seremos considerados mal-educados. Por isso, devemos ter cuidado com perguntas fora de lugar.
Os americanos, por exemplo, fazem perguntas que, para quem não está acostumado, podem chocar. Normalmente perguntam quanto ganhamos com a maior naturalidade. É uma questão cultural. Para eles, não importa o que fazemos e sim o quanto ganhamos por ano. O trabalho em si não tem importância e sim o retorno que ele pode nos dar. Com o tempo e a convivência, podemos acabar nos acostumando. Posso garantir que isso não aconteceu comigo. Apesar da minha curiosidade avançada, não gosto de responder a certas perguntas.
Quando me encontrei com americanos, também usuários de motocicletas, recebi a pergunta logo após a apresentação:
– Quanto custou a tua moto?
Confesso que tive grande dificuldade de responder a esta pergunta. Cheguei a gaguejar. Depois que finalmente respondi, ele contou quanto havia pago pela sua moto e quanto havia gasto com acessórios. Eu nem precisei perguntar.
Durante as viagens de motocicleta com meus amigos, sempre ocorre de alguém chegar e perguntar:
– Quanto custa?
Fico sem jeito sempre que me fazem esta pergunta. Digo que não gosto de responder. Às vezes, explico que motocicleta é para quem gosta e o preço não interessa. Enfim, fico sempre sem saber ou o que dizer. Um amigo meu costuma subvalorizar o preço da moto para causar impacto nas pessoas. Alguns oferecem para comprar e no final acabam sem receber a informação e vão embora. Eu raramente consigo que desistam de obter a informação.
Algumas vezes, achei que iria ser questionado sobre o assunto e acabei saindo de cena discretamente para não passar pelo inconveniente de ter de responder.
Outro dia, estava de moto em uma sinaleira, parado ao lado de um táxi. O motorista olhou para a moto com interesse. Fez um sinal com a mão. Eu inclinei a cabeça para ouvi-lo. A única coisa que ouvi foi:
– Quanto custa?
A minha sorte foi que o sinal abriu e eu arranquei... Até hoje, não consegui descobrir por que as pessoas têm curiosidade e a cara de pau de perguntar quanto custa a sua moto. Imagine alguém chegando ao seu lado, olhando para o seu carro e perguntando:
– Quanto custa?
O que você responderia?