11/03/2010

Chá das cinco

Os ingleses não abrem mão do chá das cinco horas. Até pouco tempo, eu não dava valor algum para os chás. Por muitos anos, tomei chimarrão diariamente. Ainda hoje, tenho esse hábito, mas por vários motivos não o consumo diariamente. Sempre que viajava, eu carregava os apetrechos completos para não passar sem o chimarrão. Depois de quase ser preso ao entrar no México por estar carregando “erva”, resolvi adotar o café como bebida preferencial. Com a vantagem de ser universal e não precisar ser carregado de um lado para outro. Nunca pensei no chimarrão como um tipo de chá. E nem vou entrar nessa discussão agora. Ainda hoje tomo muito café se for considerada a média.

 

Eu achava que chá e coquetel de frutas eram bebidas totalmente dedicadas às mulheres. Com o passar do tempo, minhas crenças mudaram. Descobri que as mulheres têm o paladar diferenciado. Quase provei isso cientificamente. Em uma turma da pós-graduação, fiz uma aposta com os tomadores de cerveja. Consistia em acertarem a marca de quatro cervejas que seriam servidas em seis copos sem identificação. Quatro com as cervejas a serem identificadas e dois com misturas das cervejas. O surpreendente do resultado é que nenhum “tomador de cerveja” conseguiu fazer mais de um acerto. Enquanto três mulheres que participaram tinham acertado mais de 80%.

 

Hoje aprecio o chá. Quase todo dia, à tarde, tomo chá em vez de café. Descobri sabores e aromas que não conhecia. Dou preferência ao chá verde, que segundo a literatura é a melhor bebida para todos os tipos sanguíneos. E ainda tem a facilidade de podermos ter sabores extras no chá verde. Neste momento, estou apreciando um chá verde com um aroma e sabor suave de canela. Pode ser encontrado com sabor de hortelã, que também aprecio muito, entre tantos outros. Acho que estou aprimorando o meu paladar e com isso fazendo do chá um hábito.

 

Muitas pessoas ao tomarem chá o fazem acompanhado de bolachas leves como a famosa Cream Craker, por exemplo. Outros se reúnem para degustar o chá às cinco da tarde. Utilizam essa cerimônia para recuperar as forças e enfrentar o final do dia totalmente renovados. Ainda hoje, toda vez que tomo chá eu me lembro da época em que eu era estudante e não gostava de chá.

 

Em uma tarde comum como tantas outras, e fui visitar a minha tia Adelaide. Eu morava em Porto Alegre, era estudante e a casa dela era como um quartel general ou filial da minha casa em Bagé. Sempre que precisava de alguma coisa, ia até lá. O celular simplesmente não existia, e telefone fixo era para poucos privilegiados. Confesso que não consigo lembrar o que me levou à casa da minha tia naquela tarde. O que não esqueço é que quando lá cheguei estavam ela e o tio Rafael na sala, terminando os preparativos para tomar o chá das cinco. Na mesa de centro, havia sido colocada uma bandeja com duas xícaras, açúcar e um pequeno prato com quatro bolachas Cream Craker.

 

Na época, ainda não era comum o adoçante dietético. Minha tia levantou e me convidou para tomar chá com eles. Agradeci educadamente ao convite, porém me achei parte do evento. Comi as quatro bolachas e voltei para as minhas atividades diárias. Achei que tinha participado do chá das cinco dos meus tios e saí orgulhoso disso. Alguns dias depois, fiquei sabendo que aquelas eram as últimas quatro bolachas. Eu simplesmente havia simplificado o chá das cinco para apenas chá. A história ficou famosa na família e ainda hoje a tia Adelaide conta sempre que aparece a oportunidade. Aproveito para desejar a todos um bom chá das cinco!

 

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